Histórias #04 – Entre uns copos e outros

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Willian odiara a festa de formatura da faculdade. Para que toda aquela gente se reunia? Em prol do quê? Socializar? Vá a merda isto! Aquilo não faria as coisas voltarem ao normal. Ele chegou em casa, jogou seus sapatos no canto e foi direto encher o primeiro copo.

Tomou o primeiro copo.

Sua infância fora divertida. Aos sete anos, ganhou sua primeira bicicleta e todos os dias ia ao parque andar. Conhecera Rodolfo lá, que se tornou seu melhor amigo em poucos dias. Aos dez anos, Rodolfo teve que ir morar em outra cidade e as brigas de seus pais começaram. Willian não entendia muito bem o porquê, mas achava assustador ver todas as palavras feias que seu pai dizia à sua mãe.

Tomou o segundo copo.

O ensino médio chegara. Junto com ele veio Rafael e Jéssica. Ele seria seu novo melhor amigo e ela seu grande amor – ou grande vadia. A situação na casa de Willian piorara, pois seus pais nem dormiam mais na mesma cama e as brigas eram mais frequentes. Seu pai se afundara ainda mais na bebedeira e sua mãe se tornou alguém insuportável de se conviver. Para piorar, no último ano do ensino médio, Rafael foi preso por porte ilegal de arma e Jéssica o traiu com Matheus. Em compensação, passou em Engenharia Mecânica, um de seus sonhos.

Tomou o terceiro copo.

Por que seus pais se casaram? Em algum momento eles realmente se amaram? Por que, mesmo depois de anos casados, seu pai, Samuel, traíra sua mãe, Daiane? Ele nunca entendera isto. O amor seria apenas mais uma merda criada ou seria algo real? Por culpa de seus pais e Jéssica, nunca mais fez questão de se apaixonar.

Tomou o quarto copo.

Onde estava o tal Deus benevolente? Sua avó sempre fora muito religiosa e isso não evitara que seu marido se matasse. Se Deus é algo tão bom, por que não evitava tudo aquilo? Por que não sucumbiu às orações desesperadas dele? Houve noites de prantos eternos e nem mesmo um sinal de luz veio dos céus. Nem mesmo um pastor de merda bateu na sua porta e disse algo reconfortante. Buscou consolo na igreja, mas só encontrou ódio e ganância. O ateísmo se tornou seu novo melhor amigo.

Tomou o quinto copo.

O último ano de faculdade foi o pior de toda a sua vida. Seus professores começaram a persegui-lo por conta de seu ateísmo, sua mãe se matou e, por consequência disto, seu pai teve de ser internado num centro de recuperação psiquiátrica. Sentiu-se totalmente perdido. A mãe morta e o pai louco, o que ele faria agora? Sentia que a vida decidira testa-lo ou fode-lo de vez.

Encheu o sexto copo, mas não o tomou. Ficou apenas o observando por um tempo. Então tomou uma decisão: iria se matar. Quem sentiria sua falta? Rodolfo estava há dois estados de distância, Jéssica se fora com Matheus, Rafael estava preso, seu pai enlouquecera e sua mãe estava morta. Não tinha parentes num raio de 500km. Do que valia seu diploma de engenheiro? Do que valeria ganhar dinheiro daqui alguns anos? A vida não fazia mais sentido para ele.

Willian foi até o antigo quarto de sua mãe, abriu o guarda-roupa e lá estava a arma que sua mãe usou para se matar. Carregou-a, tomou o último copo de vodca e atirou em sua cabeça sem hesitar. Agora não há mais passado. Nem futuro. Não há nada.

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Histórias #03 – A vida é doce

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Dessa vez iria escrever sobre tudo que sempre quis. Ele sentou-se e fixou seus olhos na tela. Pensou, pensou, pensou e chegou à seguinte conclusão: a vida é uma merda.

Começou com algumas frases sem sentido e logo recomeçou tudo. Escrever era como a vida, com um pouco de sorte, inspiração e empenho tudo se ajeitava e algo de bom saía. Decidiu ligar uma música para ver se a inspiração viria. Tornou-se fã de MPB por causa de seu pai.

Quando era menor, ele o obrigava a ouvir Chico Buarque. Achava tão entediante e não entendia absolutamente nada do que aquele cara falava. Quando cresceu, lá pelos seus dezesseis anos, apaixonou-se por Alice e nunca vira tamanha utilização de Chico. Lembrou-se de como ela o fez feliz. Quantas noites cantando O meu amor para poder faze-la dormir? Quantas vezes suas pernas não se confundiram com as dela e seus sangues não erraram de veias? Não, ele sabia que era um erro pensar nela. Filha da puta como ela foi. Trocou a música, assim como ela fez com ele. Ligou Matanza.

Depois de ter terminado com Alice, decidiu seguir para um outro caminho. Começou a beber e fumar com seus amigos. O que uma decepção amorosa não faz com o coração de um homem? Havia um tal de “Clube dos canalhas” na cidade, onde o lema, basicamente, era “Beba até esquecer dela. Quando voltar a lembrar, volte a beber”. Funcionou durante algum tempo, até que ele apanhou de um traficante. Parou com a bebedeira intensa e com as drogas.

Isso também não era algo bom de se pensar. Sentiu-se influenciado por Charles Bukowski, pois sua obra girou em torno de bebedeiras e mulheres. Decidiu trocar novamente a música. Dessa vez iria de Engenheiros do Hawaii.

Ah, a sua melhor fase da vida. Começou a cursar sua faculdade de Filosofia, fez amigos passíveis de se ter algo saudável e conheceu Clara. Ela era diferente de Alice. Ela era de bem com a vida, não tinha rodeios quando o assunto era sentimento e, sempre que possível, estava com ele. Clara o salvou dessa selva, eram duas metades iguais. Chegaram a ir ao Acústico MTV. Com ela tudo fluía, ele sentia vontade de correr todos os riscos desta infinita highway.

Infelizmente, com o tempo, viram que paixão é exatamente ao contrário de amor. A primeira nos faz vibrar a cada segundo que estamos com a pessoa, nosso coração quase sai pela boca e as borboletas no estômago nos fazem voar baixo. O segundo, não. Ele é uma decisão que deve ser tomada quando a paixão se vai a outro trouxa. Ele é quem decide se aquela pessoa permanece em sua vida ou não. Decidiram que não permaneceriam na vida um do outro. O inverno, finalmente, chegara a eles.

Nesta hora, ele olhou para o relógio e se assustou. Desde que começara a escrever se passaram três horas. Mas decidiu que terminaria aquele texto naquela noite mesmo. Trocou o CD, Engenheiros o estava deixando triste. Ligou, para finalizar o texto, Lobão.

Nunca fora fã dos ideais políticos dele, mas suas letras eram sensacionais. Quantas noites passou bebendo e ouvindo Vou te levar? Havia algo melhor? Óbvio que sim, mas ele queria beber. Queria sentir o álcool o consumindo por dentro. Desta forma nada mais faria sentido. Desta forma nada mais importaria. A vida é uma merda, afinal. Lobão o fez mais mal ainda.

Começou a tocar Me Chama e ele, num impulso, pegou o telefone e ligou para Clara. Implorava para que ela voltasse. Para esquecer tudo que decidiram no passado e tentarem novamente. Ele queria fazer diferente. Queria ama-la.

–  Vá se foder, Leonardo. Me deixe dormir em paz – disse baixinho e desligou o telefone.

Ele ficou indignado com aquilo. Como alguém poderia ser tão frio e ríspido assim? Decidiu apagar toda aquela merda que havia escrito, ninguém o leria algum dia mesmo. Seus desabafos nunca foram ouvidos, daquela vez não seria diferente. Deu seu último trago no vinho e ouviu o trecho da música que ainda tocava “Nem sempre se vê mágicas no absurdo, mágicas no absurdo“.

Sonhe!

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Alguns meses longe do blog e do Word me fizeram repensar o que quero para mim. Sonhos morrendo, outros nascendo e tem aqueles que estão renascendo. Isto é bom.

Nesse tempo longe muitas coisas aconteceram, mas não entrarei em detalhes. Não agora. Neste post quero falar sobre algo mais importante e relevante para mim: sonhos.

Ter a sensação de que o seu maior sonho está morrendo é horrível, principalmente quando a culpa não é sua. O externo se torna tão influente que você tem que tomar uma decisão e, normalmente, é a errada. Sorte – doce sorte – é que sempre dá para recomeçar. Sempre dá para voltar atrás e fazer aquilo que se ama.

Quase desisti de escrever e cursar Letras, mas quando vi que aquela decisão me corroía por dentro percebi que não dava mais. Não dava mais para fingir estar feliz com algo que não era o que eu queria.

Eu serei professor. Eu serei escritor. Eu sonharei e realizarei.

“Depois de um tempo você será outro, assim como uma duna depois de meses de vento. Poderá então ver se valeu a pena ou não; com certeza haverá oportunidades se decidir procurar outro caminho.”

Obrigado, professor Alceu.

Stephen King, aniversário e Junho

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“Começa assim: coloque sua mesa em um canto e, todas as vezes em que se sentar para escrever, lembre-se da razão de ela não estar no meio da sala. A vida não é um suporte à arte. É exatamente o contrário”.

Há tempos que eu não lia um livro que me fizera rir tanto – olha que ainda nem terminei. “Sobre a Escrita”, é um livro do Stephen King. Eu nunca li nenhuma obra dele. Infelizmente. Depois de ter lido as cem primeiras páginas desta, apaixonei-me pela escrita dele e, principalmente, por ser direto e não ficar de ladainha.

O trecho inicial deste texto foi, até o momento, o que mais me tocou. Condiz muito com o momento que estou passando. Demorei dezoito fuckin anos para entender que a vida pode, se eu quiser, ser a coisa mais bela que existe. Que, mesmo em meio a centenas de problemas, o sorriso e o amor são as únicas soluções.

Creio que o mês de Maio foi uma espécie de “preparatório emocional” para o que estava por vir em Junho – vocês (Gabriela, Willian e Jéssica) já devem estar de saco cheio de eu só postar resumos mensais, mas, de verdade, estou em crise criativa.

Só para começar: Vigília na 3ª IEQ, em Curitiba. Eu nunca tinha participado de vigília alguma, pois tenho a péssima tendência de não gostar. Esta fora legal porque revi alguns princípios meus e, principalmente, pela diversão. Valeu a pena, até.

Única foto que estou junto, mais ou menos ainda.

Única foto que estou junto. Mais ou menos ainda.

No dia vinte, meu irmão veio para cá e fomos, junto com meu primo, prima e o namorado dela, ao jogo do Atlético no dia seguinte. Meu Deus, que jogo! Foi o meu primeiro AtleTiba. Ficamos com um empate chorado de 2×2, mas valeu cada segundo. A torcida deu um espetáculo, diferentemente do time que, mesmo fazendo dois gols, não jogou tão bem assim.

Eu, meu irmão e meu primo. Lugar lindo!

Eu, meu irmão e meu primo. Estádio lindo!

Um dia que eu nunca esquecerei: vinte e sete de Junho. Eu sou muito fã do artista Marcos Almeida. Ele não é muito conhecido pelo público em geral, pois suas músicas se enquadram numa espécie de “MPB gospel” – que Deus me perdoe pelo termo “gospel”.

Abro parênteses. As letras do Marcos foram essenciais para montar meu caráter cristão atual. Nunca, em nenhuma música, eu vi a intenção de simplesmente “ganhar dinheiro”. Em absolutamente todas percebo um compromisso em cantar o verdadeiro Evangelho. E, sem dúvidas, se não fosse por elas, eu estaria bem longe do Evangelho hoje em dia. Fecho parênteses.

Um dia farei um post falando mais sobre o Marcos Almeida, prometo.

Marcos Almeida, vulgo gordinho saliente gospel.

Marcos Almeida, vulgo gordinho saliente gospel.

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Da esquerda para a direita: Karol, Guilherme, eu e o Leonardo Raimundo. Amigos lindos!

Três dias depois do show chegou o meu aniversário. E eu fico com a seguinte reflexão: “Já são 18?”. Em hipótese alguma me sinto com esta idade. No entanto, já que é o que temos para hoje, por que não aproveitar?

Lembro como se fosse hoje quando fiz quinze anos. Na época, eu tinha um computador horrível que mal rodava o Word, era um pseudo-emo-sofredor-dramático e vivia pelos cantos me lamentando. Tinha dias que eu acordava e pensava “Por que estou vivo?”. I-D-I-O-T-A. Perdi um ano inteiro da minha vida com frescuras que hoje, deixaria para lá e iria aproveitar mais. Eu poderia ter aproveitado muito mais duas amizades antigas, jogado mais e, claro, ter feito outros amigos. Porém, bem que dizem que a adolescência é feita de fases. Acho que aquela foi apenas uma ruim.

No dia do meu aniversário eu aproveitei ele da melhor forma possível: com quem eu amo. Saímos tomar aquele milk shake maroto e ficamos sentados conversando. Aqui na minha cidade não tem muitas opções de passeios, mas damos nosso jeito, certo? E à noite fomos à uma pizzaria. Risadas e alegria definiriam bem aquela noite.

Amo aquele local, o clima, as músicas, as pessoas e, principalmente, a comida, o tornam único. Ele possui uma decoração bem caseira e as músicas são, em sua maioria, clássicos do rock. Digam-me, há algo melhor que comer uma pizza com quem você ama e, ao fundo, estar tocando Elvis Presley? Não há, eu sei.

O mês chegou ao fim, porém tinha mais. Digamos que o meu Junho acabou em quatro de Julho. Desde meus oito anos que eu não fazia uma festa de aniversário. Minha vaga lembrança da última é meu pai tirando uma bicicleta azul do porta-malas do nosso antigo gol quadrado. Se eu estivesse como um observador da cena, o meu rosto como criança era de um sorriso de orelha a orelha. Este mesmo sorriso estava estampado no meu rosto na festa do dia quatro. Sem dúvidas.

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Gostaria de colocar algum trecho do livro “Sobre a escrita” como último parágrafo, mas não encontrei nada que encaixasse. Terminar textos é algo incrivelmente difícil. Você precisa mostrar ao leitor de que é realmente o fim e, ao mesmo tempo, colocar algo que o faça pensar “meu Deus, que texto!”. Talvez este tipo de texto não tenha um fim. Entendem o que quero dizer? Quando escrevemos sobre algo da nossa vida – um dia, um mês, um ano talvez –, o papo muda. Não queremos que tenha fim aquela história. Queremos, todas as vezes que as lemos, relembrar e reviver aquilo. Talvez, este seja o final de textos assim: sem fim.

Felicidade

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E Junho começou com tudo, graças a Deus. Minha vida deu algumas revira voltas desde o último texto, mas, sem dúvidas, foram voltas que me encaixaram no eixo certo. Quase toda a bagunça foi devidamente colocada em seu lugar e o que não era mais necessário descartei.

Sou um pouco de lua. Há dias que abomino mudanças, como Deus abomina o pecado, mas há dias que as amo, como uma mãe ama o seu filho. Acredito que elas são o que tornam nossas vidas algo emocionante, digno de ser vivido. No entanto, o foco deste texto não são as mudanças, mas o fruto delas.

Esta semana foi aniversário de uma colega minha e teve um jantar em comemoração. Eu passei a semana inteira ansioso e comentando com um amigo meu sobre o dia, pois já sabia que seria divertido. No entanto, não sabia que seria tão divertido.

Foi uma alegria imensa ver todos meus amigos reunidos, há muito tempo eu queria isto. A última vez que me reuni assim com eles foi em 2014, se não me falha a memória. Algo que me deixou incrivelmente feliz, foi fazer novas amizades e reafirmar algumas mais antigas, empoeiradas pelo tempo. Foi ótimo pegar aquele pano velho, tirar o pó, passar um lustra-móveis e torná-las novas.

Este é mais um texto incrivelmente curto, pois não consigo sentar e escrever alguma história boa. Encalho no meu primeiro parágrafo. Eu queria poder expressar mais sentimentos sobre esta noite, mas não consigo. Acho que a felicidade que estou sentindo é tão grande que texto algum expressaria fielmente.

Querido Maio

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Fazia um bom tempo que eu não tinha um mês tão produtivo – tanto que fiquei até sem postar no blog. Normalmente tenho meses bem monótonos, mas dessa vez foi diferente. Dessa vez todo ele valeu a pena.

Já no primeiro dia teve o encontrão de adolescentes, acho que foi na primeira IEQ, não me lembro. A melhor parte foi no ônibus e a comida que estavam vendendo lá, claro.

Galera lá da Nona IEQ.

Galera da Nona IEQ.

No entanto, o mês só estava para começar, mais “aventuras” viriam. Depois de cinco dias do Encontrão, fui ao jogo do Atlético Paranaense contra o Tupi-MG com meu pai. Garantimos a vitória aqui, pena que o CAP perdeu lá. Mas, sem dúvidas, valeu a pena ter ido conhecer a nova Arena – ainda mais com meu pai.

Aquela é a Fanáticos. Legal mesmo é quando sai gol para o Atlético, a bandeira sobre e começam a pular.

Aquela é a Fanáticos, torcido organizada do Atlético.

No final de semana após o Encontrão, meu irmão, aquele do post “Aos que realmente importam”, veio nos fazer uma visita. Ele ficou apenas dois dias, mas valeu cada segundo. Eu, ele, minha irmã e meus primos fomos ao shopping no sábado, e no domingo, como já é de costume, teve aquela costela assada e família reunida. Não há nada melhor!

Lindos!

“Amor” nos definiria bem. 

No dia dezesseis e dezessete teve o Shinobi Spirit. Eu sempre quis ir a algum evento desse tipo, com pessoas e seus cosplays, bugigangas nerds, salas de jogos, etc. Sonho realizado! Eu e mais dois amigos fomos, apesar das 4hrs de fila, valeu a pena cada minuto lá dentro.

Tenho uma história para contar sobre este dia: tinha um menino ganhando de todos no Street Fighter. Eu, só para zoar, pedi para jogar contra o guri. Detalhe: nunca joguei Street Fighter, só sabia do Ryu, hadouken e o Blanka, personagem brasileiro. Sentei-me ao lado do piá, escolhi o Blanka e começou a luta. Descobri que apertando para frente e quadrado ao mesmo tempo, meu personagem soltava uns raios loucos lá. Para que fui descobrir isso, né? Toda hora que o guri vinha para cima de mim, eu usava o ataque. Apelação maior não havia. Em resumo: ganhei usando o mesmo ataque, gritei muito e o guri ficou triste – o que valeu foram as risadas.

Rafael, cosplay do Kakashi e eu. Muito bom o cosplay!

Muito bom o cosplay! Rafael, Kakashi e eu. 

Bugigangas que comprei no dia, gostei demais.

Finalmente, cheguei à reta final do mês e pensei: “As aventuras acabaram”, mas não, não acabaram. Nesta semana, a última do mês, tive a surpresa de ter me descoberto novamente. Explicando resumidamente: parei para pensar na vida depois que assisti a um filme, e, puts, quanta coisa tenho que mudar ainda. Tenho tanta bagagem desnecessária do passado, lembranças realmente inúteis, sentimentos desnecessários, etc. Decidi mudar.

E ontem, 26/05, na escola onde estudo teve o SIPAT, uma palestra sobre segurança no trabalho. Bom, é isso que o nome dá a entender, mas foi uma palestra motivacional com um cara que participou quatro vezes da prova Ironman. E para ajudar, só complementou o que aconteceu dias atrás comigo. O legal foi que eu fui sorteado para ganhar um dos brindes.

O brinde era um BIS e uma caneta. Esta guardei e o primeiro comi enquanto escrevi esse texto.

O brinde era um BIS e uma caneta. Esta guardei e o primeiro comi enquanto escrevia esse texto.

Enfim, este post é apenas para eu registrar que Maio valeu a pena. Foi um mês que me fez mudar de pensamento sobre muitas coisas – e pessoas. Ele ainda não acabou, tenho mais quatro dias para fazê-lo valer ainda mais a pena. Junho está para chegar e, sem dúvidas, darei o meu melhor para fazer dele melhor do que o anterior.

Histórias #02 – (Re)Flexões do dia-a-dia

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Acordo, como sempre, às 06hr50. Sempre gostei de deixar meu despertador em algum múltiplo de cinco – 06hr50, 06hr55, 07hrs, etc. Olho para o celular: “três novas mensagens”. Não as leio, hoje farei diferente. Sento na cama e fico olhando para o chão. Até bateu uma tristeza, tudo bagunçado. Ignoro. Levanto, vou ao banheiro e lavo o rosto. Percebo que há uma baita espinha na testa. “Mau sinal!”, pensei. Como não costumo tomar café da manhã, já escovo os dentes e vou me arrumar para a aula. Olho para o relógio e percebo que estou atrasado, o ônibus passa 07hr10, já são 07hr05. Me arrumo normalmente, hoje vou para a segunda aula. Saio do portão e vejo o ônibus passando. Chego no ponto e espero o próximo, ele deve passar lá por 07hr20.

– OOOOO!!! – Passou meu amigo buzinando de carro e gritou. Apenas levantei a mão para ele.

Logo atrás dele vinha um pálio preto. Olhei para o motorista e até senti uma tristeza, ele brigava com a mulher, que estava no banco ao lado. Não sabia o porquê da briga, mas ela parecia com medo. Senti dó dela. Vítima do machismo? Talvez. O mundo anda louco. Refleti comigo mesmo se há amor ainda. Não encontrei uma resposta.

A duas quadras vinha o ônibus, levantei a mão e ele parou. Subi, dei bom-dia ao motorista, paguei, passei pela catraca e me sentei ao lado de uma menina, parecia ter lá seus doze anos. Ela estava usando um uniforme azul, camiseta branca e uma mochila com o símbolo do colégio. Que dó dos ouvidos dela, os fones estavam no volume máximo. Reparei que estava com olheiras. Será que passou a noite chorando? Não sei. Se sim, foi por meninos? Brigas familiares? Amigas? Ou simplesmente estava com sono? Não encontrei uma resposta também.

Eu já decorei o caminho do ônibus. Ele demora exatos 5min para chegar na escola da menina, 12min para chegar na empresa do senhor que usa chapéu todos os dias e 20min para chegar na minha escola.

O ônibus parou no ponto da menina, ela desceu e eu tomei o lugar dela. Adoro sentar na janela, assim posso observar o movimento e criar teorias mirabolantes sobre as pessoas.

Uma vez tinha um casal andando de mãos dadas na rua, indo em direção à panificadora do bairro. Imaginei que o rapaz era um serial killer e a menina seria sua próxima vítima. Ele iria fazer a cabeça dela para passarem o dia juntos, iria leva-la até sua casa, que no porão teria um quarto cheio de apetrechos de tortura: navalhas, seringas, bisturis, agulhas, etc. Ele a drogaria com um “boa noite cinderela” e a amarraria numa cama. Quando ela acordasse, estaria nua e pronta para a brincadeira. Só consegui chegar até esse ponto, já estava chegando ao colégio.

O velho parecia mais alegre que o normal. Falava ao telefone com a esposa. Conversavam sobre o filho mais novo, que, aliás, era meu colega de turma. Ele não era lá aquele aluno exemplar, mas não ficava para trás – um dos únicos que se salvavam naquela turma. O resto só queria saber de drogas. O pai dele contava à mulher que estava orgulhoso, porque o filho conseguira uma bolsa de estudos no melhor colégio da cidade. Não conseguia ouvir o que a mulher dizia, mas pareciam ser coisas boas, pois o velho só sorria. Pensei como é lindo o amor dos pais, o quanto o orgulho deles é valioso para um filho. Imaginei como é dar orgulho aos pais. Não consegui, os meus morreram num acidente quando eu tinha dois anos.

O ônibus chegou no ponto do velho, ele desceu e o próximo ponto era o meu. Nessas horas eu fico um pouco triste, não sei por que. Acho que deve ser por que é o último ponto, é onde deixo o ônibus, os passageiros e tenho que deixa-los irem, seguir viagem. A vida é assim: estamos em uma espécie de automóvel, onde os passageiros são nossos amigos e familiares. Em certos pontos, as pessoas descem, deixam-nos e seguem a sua vida, enquanto nós seguimos viagem. Mas há momentos que somos os passageiros, nós que deixamos as pessoas. Procurei achar alguma teoria para isso tudo, não a encontrei.

Quando olhei para frente novamente, percebi que meu ponto já estava chegando. Apertei o botão correndo, o motorista parou e eu desci. Olhei para o prédio da escola e percebi que hoje era conselho de classe na minha escola. Peguei o celular e li as três mensagens do meu amigo: “Cara, venha aqui em casa hoje”, “não tem aula”, “lembra?”.

Tentei achar uma resposta para isso, dessa vez eu a encontrei: burrice.

Histórias #01 – Aquele vestido estampado

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O vestido era preto com bolinhas brancas na saia. Lindo, exuberante e encantador. A forma como você, minha amada, andava contrastava com o movimento da saia. O seu sorriso brilhava e ofuscava todas as luzes da cidade. O seu cabelo balançava como a crista de um cavalo num calmo galope. Ah, e seus olhos castanhos? Eles, ao me encarar, deixavam meu coração a mil por hora.

Naquela noite andávamos pelas ruas de Paris, ao fundo ouvia-se sua música predileta, Sympathique, da Pink Martini. Você, sem os sapatos, porque dançara a noite toda. Eu estava com minha camisa azul-bebê, aquela que você dizia adorar, aberta nos dois primeiros botões e com a gravata frouxa. Meu paletó eu deixara na festa em algum lugar, não me recordo. Foi uma noite agitada.

Infelizmente, nem tudo é como num livro, nem tudo tem final feliz. Enquanto eu lhe admirava andando à minha frente, há poucos metros de distância, não percebi a chegada daquele estranho. Ele estava mascarado e veio por entre as sombras, aproveitou-se do momento e nos rendeu. Você, estranhamente, ficou muito calma e parecia confortável com a situação. Eu fiquei imóvel por alguns momentos, com medo e sem saber o que fazer. O ladrão era familiar, mas não consegui perceber na hora.

Ele chegou perto de nós, apontou a arma e disse que queria tudo. Eu comecei a entregar os objetos, sem reagir ao assalto, só queria sair vivo daquela situação.

Só queria continuar o nosso passeio pela Europa, era nossa lua de mel, um assalto não nos impediria. Tínhamos tantos lugares para visitar ainda, como Roma, Londres, Amsterdã e Barcelona. Nós iríamos ter três filhos, eu sei! Duas meninas, para que elas fossem amigas, e um menino, apenas para brigar com as irmãs. Iríamos, futuro-do-pretérito, ou seja, uma ação que aconteceria no futuro, mas não vai mais.

Enquanto o ladrão pegava nossas coisas, eu pensei em alguma forma de reagir. Tola decisão a minha naquele momento. Eu tentei impedi-lo que nos roubasse. Ele apontou a arma para mim e atirou.

Acertou-me em cheio no peito.

Quando olho para baixo, percebo o furo em meu peito. O sangue tornando o azul em vermelho escarlate. O desespero bateu. E os meus sonhos? E minha mulher, como eu a deixaria? Eu não sabia onde ficava o hospital local, não havia ninguém por perto e não conhecia nada da região.

Começaram a rir. Olhei fixamente para ela e percebi uma alegria em seu olhar. O ladrão estava indo em direção a ela.

– Eu disse que seria fácil. Ele sempre foi previsível. – Ela disse para o ladrão. Eu não sabia o que fazer, aquilo era o pior pesadelo. E o sangue continuava a escorrer pelo meu peito. Então, aproveitando-se do momento, o ladrão retirou sua máscara. Eu não pude acreditar, era ele.

– Irmão! Por que você fez isso? Por quê? – Gritei desesperadamente para ele.

– Que engraçado. Agora quem está de joelhos na minha frente é você. A sua mulher é minha e, o melhor, o seu dinheiro também. – Debochou de mim – Você realmente acreditou que ela te amava? Já tínhamos combinado isso faz tempo. Desde o seu noivado.

Eu não podia acreditar. Era sério aquilo? Ela, a mulher que eu amei por toda a minha vida, planejou o meu assassinato na nossa lua de mel? Ela, aquela que eu admirei por dez anos, simplesmente queria o meu dinheiro?

– Por quê, amor? Por que está fazendo isso comigo? – Disse, em prantos.

– Como sempre, um tolo apaixonado. Pare de me chamar de amor, idiota! Eu nunca te amei. Só me aproximei de você por causa dele, – apontou para o meu irmão – e você, tolo, apaixonou-se por mim. Foi ótimo quando começamos a namorar, eu podia ver seu irmão todos os dias. Lembra aquele cursinho que você fazia e eu ficava te esperando em casa? Acha mesmo que era por causa de você? Eu ia lá apenas para ver seu irmão. Traia você em sua própria casa. Depois que me pediu em casamento, foi fácil convencer seu irmão de fazer isso. Agora, depois que casamos, toda sua herança virá para mim e, finalmente, poderei ser feliz com quem amo. – E ela se foi. Para sempre.

Eu não podia acreditar naquilo que estava ouvindo. Meu irmão e ela? Não podia ser verdade. Senti meu corpo gelar mais um pouco e percebi que não tinha forças para mais nada, cai de lado. Péssima vista que tive: ela, com seu lindo vestido de bolinhas, indo até a Torre Eiffel com ele, meu assassino.

Senti um último batimento cardíaco, meu corpo gelando mais um pouco e eu, nos últimos momentos, pensei: eu te amei com todas as minhas forças. E meus olhos se fecharam por toda a eternidade.

Aos que realmente importam

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Da esquerda para a direita: Gustavo, Milena e eu.

Curioso é como, com o tempo, aprendemos a dar valor a quem realmente importa. Quando eu era pequeno, não tinha uma relação tão boa com meus irmãos. Brigávamos sempre que possível, não deixávamos passar uma. Hoje eu entendo o porquê dizem que briga de criança é bobeira. Olho para o passado e vejo que, meu Deus, eram apenas motivos idiotas.

No entanto, em certos casos, as crianças – entenda-se alguém que está na pré-puberdade – preferem ouvir os que estão lá fora. Os amigos sempre têm razão nessa idade, irmãos só servem para nos atrapalhar. Pensamos: “Até parece que posso contar com ele” ou “Se eu contar para ele, a mãe vai ficar sabendo”. Bobeira nossa!

Agora eu vejo que, caso tivesse passado mais tempo com meu irmão mais velho, teria aprendido muito mais. Não, ele não morreu, só está longe. Mas, mesmo longe, tem me ensinado muito. O que me deu mais vontade de escrever esse texto, mesmo que curtinho, foi ele.

Eu sempre fui inseguro quanto aos meus sonhos, e sempre achei que ele zombaria da minha cara por causa deles, mas são nessas horas que a vida nos surpreende. Ele foi um dos primeiros a me apoiar. Disse para eu ir e investir, sem vergonhas, sem arrependimentos. Quando escolhi Letras, disse-me “se é o que você gosta, faça mesmo” e quando contei sobre ser escritor, ele disse “não tem que ter vergonha, escreva mesmo”.

Costumamos dar mais valor ao apoio de quem está fora de nossa família, mas esquecemos de que quem realmente importa está dentro. Os que sempre estarão ao seu lado são eles, irmãos, primos, pais, etc. Amigos, muitas vezes, são pessoas que só passam, deixam-nos saudades e se vão. Família não. Ela sempre estará com você, mesmo que seja para lhe criticar, mas estará lá.

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Surfaremos muitos Karmas e DNA ainda, sem dúvidas.

Feliz dia do livro, Livros

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Hoje, 23/04, é uma data comum para quase todo mundo, mas, como minha mãe sempre diz, eu não sou todo mundo. Hoje se comemora o dia mundial do livro. Não que isto mereça um feriado, mas é, até certo ponto, interessante existir algum dia para comemorar uma das maiores invenções humanas.

O livro, tão odiado por algumas pessoas, é o que nos torna mais humanos. Por intermédio deles, descobrimos outros mundos, O guia do mochileiro das galáxias é um ótimo exemplo. Aquele conjunto de páginas possibilita que descubramos o que se passava na cabeça dos nossos ancestrais, o que seria da História sem eles? Aquilo que adoramos cheirar após comprar possibilita que o conhecimento seja passado à frente, o que seriam das escolas sem os livros?

Eu sou suspeito para falar algo deles, pois meu sonho é me formar em Letras. No entanto, acho que os livros são uma riqueza inigualável para nós, humanos. Eles são o cano de escape para muitos solitários, servem de inspiração para os escritores e, para mim, são uma fonte inesgotável de conhecimento.

Editei a foto com meu editor de vídeos, não a critiquem. Eu sirvo para escrever, não para tirar fotos.

Editei a foto com meu editor de vídeos, não a critiquem. Eu sirvo para escrever, não para tirar fotos.

Posso não ser o leitor mais afoito que já pisou na Terra, mas disso eu tenho certeza: homem algum se arrepende por investir duas, três ou até quatro horas lendo. Mais vale uma hora lendo, do que duas cuidando da vida dos outros no Facebook.